
Dez meses após denúncia ao Ministério Público, descarte irregular de resíduos em áreas alagadas continua sendo a realidade de moradores e ribeirinhos no Amazonas.
A situação ambiental no município de Anamã, no interior do Amazonas, atingiu um ponto crítico de desrespeito à natureza. Mesmo após quase um ano de uma denúncia formal encaminhada aos órgãos de controle, o descarte inadequado de lixo em áreas de várzea e no próprio Rio Solimões persiste. Segundo relatos das comunidades, embarcações da coleta municipal despejam resíduos em terrenos que sofrem alagamentos periódicos. Com a subida das águas, esse lixo retorna à superfície e é levado pela correnteza para igarapés utilizados pela população local. A prática ignora a Lei nº 9.605 de 1998, que tipifica crimes contra o meio ambiente, e coloca em risco a subsistência de quem depende diretamente da pesca.
Por aqui, quem conhece o banzeiro sabe que o rio não é tapete para se esconder sujeira por baixo. Ver uma situação dessas em pleno beiradão do Solimões causa revolta em qualquer um que preza pelo nosso maracá. É aquela velha história: parece que tem gente esperando a cheia chegar para fazer o lixo “sumir”, esquecendo que a água que leva a imundície é a mesma que banha o peixe do nosso almoço. Em Anamã, a fiscalização parece estar mais devagar que rabetão carregado em dia de maresia, deixando o rastro de poluição seguir viagem rio abaixo.
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A omissão dos órgãos de fiscalização é tão poluente quanto o lixo descartado nos rios.
Jogar lixo na várzea e esperar a cheia resolver é querer enganar o boto, mas quem acaba no prejuízo é o ribeirinho!
Escrito por Thalya Brelaz, da redação Juruti Agora.