Banco comunitário de Juruti conquista prêmio do Ministério Público do Pará

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Criado pelo Instituto Juruti Sustentável, o BANJUS venceu a categoria Governança do Prêmio Florestania, concurso que valoriza iniciativas de cidadania para povos da floresta e populações tradicionais

JURUTI / BELÉM (PA) – O Banco Juruti Sustentável (BANJUS), banco comunitário criado pelo Instituto Juruti Sustentável (IJUS), em Juruti, no oeste do Pará, venceu a categoria Governança do Prêmio Florestania, concurso de práticas promovido pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). A entrega aconteceu nesta sexta-feira (23), no auditório do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) do MPPA, em Belém. O presidente do IJUS, Gustavo Hamoy, recebeu o troféu e o certificado em nome do BANJUS, das mãos do promotor de Justiça Nadilson Portilho Gomes, coordenador do Centro de Apoio Operacional Cível, Processual e do Cidadão (CAO CPC), setor responsável pelo prêmio.

O Prêmio Florestania reconhece iniciativas da sociedade civil que levam direitos e cidadania a quem vive na floresta, no campo e em comunidades tradicionais. O concurso premiou práticas em três categorias: Florestania, Social e Governança. Para o promotor, o prêmio marca uma mudança na atuação do MPPA, conhecido pelo papel de fiscalizar. “O Ministério Público deixa de apontar defeitos, deixa de apontar o que vê de errado, mas passa a reconhecer o que vê de bom”, disse na abertura da cerimônia.

Segundo Nadilson, o BANJUS foi premiado por gerar renda para a população de forma organizada e por ter um modelo que pode servir a outras regiões. “Não é só o reconhecimento da prática, mas de que ela pode ser replicada para outros locais, outros territórios na Amazônia. É um grande exemplo de empreendedorismo social”, afirma.

Para Gustavo Hamoy, o prêmio reconhece a forma como o instituto trabalha: com poder público, empresas e organizações sociais decidindo juntos. “Ao longo do tempo, a gente sempre trabalhou a governança territorial participativa, o tripé poder público, iniciativa privada e terceiro setor. Hoje é um dia de reconhecimento”, diz.“ Isso aumenta a nossa responsabilidade de continuar contribuindo para o desenvolvimento sustentável da nossa região, da Amazônia, do Pará e do Brasil”, completa.

Em sua fala na cerimônia, Gustavo destacou o trabalho da diretoria social do IJUS, que trouxe o edital ao instituto e ajudou a preparar a inscrição do banco no concurso. “A nossa diretora social nos provocou, nos incentivou a nos inscrever e participar”, contou.

Crédito para quem fica fora do banco

Criado em 2022, com investimento da Alcoa Foundation, o BANJUS oferece microcrédito a quem tem dificuldade de conseguir empréstimo nos bancos tradicionais. Em Juruti, município de cerca de 54 mil habitantes, muitos pequenos produtores e comerciantes ficam sem crédito por causa da burocracia, da exigência de garantias e de restrições no nome. O banco atende agricultores familiares, comerciantes e prestadores de serviço da cidade e do interior, com ou sem empresa aberta, e acompanha o cliente durante todo o financiamento.

O reconhecimento em Governança tem a ver com a forma de decidir quem recebe o dinheiro. No BANJUS, a análise começa pela pessoa, e não pelas garantias que ela pode oferecer. Cada pedido passa por um diagnóstico de quem empreende, com informações de renda, saúde e educação, e por um estudo que mostra se o negócio consegue pagar as parcelas. Assim, o banco enxerga o potencial de quem costuma ter o crédito negado em outros lugares.

As propostas são analisadas por um comitê com representantes do poder público, de empresas e da sociedade civil. Depois da aprovação, a equipe do banco ainda faz uma visita técnica, que pode eliminar o pedido. Os resultados de cada empréstimo são publicados para a comunidade acompanhar. É o tipo de prática que, segundo o promotor, o prêmio busca valorizar: iniciativas da sociedade que “vêm mudando o cenário de exclusão social”.

Nos três editais realizados entre 2023 e 2025, o BANJUS emprestou R$ 827,7 mil a 99 negócios, com valor médio de R$ 8.360 por contrato. Seis em cada dez clientes são mulheres, que receberam quase 59% dos recursos. No terceiro edital, elas chegaram a 75% dos atendidos. Metade do dinheiro foi para assentamentos agroextrativistas e áreas de proteção ambiental do município, e o crédito chegou a 41 comunidades rurais. A maioria dos clientes trabalha na informalidade, público que raramente consegue empréstimo, e mesmo assim a inadimplência do banco está abaixo de 3%.

Próximo passo: a Juruteka

O banco agora prepara a Juruteka, moeda social lançada em julho de 2026, com implantação prevista para 2027. Cada J$ 1 vale R$ 1 e tem lastro em reais guardados em um fundo comunitário. Beneficiários de projetos do IJUS poderão receber recursos em Juruteka e usá-los em comércios credenciados de Juruti, que trocam a moeda por reais no BANJUS. Assim, o dinheiro continua circulando no município. A moeda terá cédulas com símbolos locais, como a Praia do Formigão e o Festribal, e versão digital, com pagamento por QR Code e conversão para reais via Pix.

Sobre o IJUS

O Instituto Juruti Sustentável (IJUS), reconhecido como Organização de Utilidade Pública pelo Governo do Estado, é um espaço público permanente de diálogo, debate e ação coletiva entre seus associados e a sociedade em geral, que visa contribuir para o desenvolvimento sustentável de Juruti e entorno. O Instituto tem por escopo, também, apoiar financeiramente ações, projetos e programas, reembolsáveis ou não reembolsáveis, que integrem aspectos sociais, humanos, econômicos e ambientais, através do Fundo Juruti Sustentável (FUNJUS).

Mais informações: www.ijus.org.br

Por: Redação Juruti Agora