BRASÍLIA / MIAMI (EUA) – O cenário político e judicial brasileiro atingiu o seu ponto mais crítico após a confirmação de que o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil de forma clandestina e já se encontra em solo norte-americano. A fuga ocorreu na segunda-feira (26), por meio de uma travessia terrestre rumo à Argentina, poucas horas após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinar a retenção de seus passaportes e proibi-lo de deixar o país. Com o esgotamento do prazo de entrega dos documentos sem o devido cumprimento, a Polícia Federal (PF) oficializou o cancelamento de todos os passaportes do parlamentar e informou a Corte.
A Decisão do STF e as Medidas Cautelares
A ordem de restrição foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes na noite de domingo (25 de outubro de 2026), logo após a apuração das eleições presidenciais. A notificação formal da PF ocorreu na manhã de segunda-feira (26), quando o parlamentar foi abordado ao deixar a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A determinação judicial impunha:
- Entrega Obrigatoria de Documentos: Recolhimento e cancelamento de todos os passaportes (comum, diplomático e eventuais documentos de outras nacionalidades) no prazo estrito de 24 horas.PNG
- Proibição de Saída do País: Impedimento absoluto de deslocamento para o exterior.PNG
- Bloqueio de Comunicação: Restrição total de contato com o advogado Willer Tomaz (que já se encontrava nos EUA).
A Investigação da PF: Flávio Bolsonaro é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas no setor de apostas esportivas (bets) e com a empresa Alcazar Holdings. E-mails interceptados apontam o senador como “usuário master” de uma conta no exterior ligada a Willer Tomaz. O risco iminente de fuga já havia sido alertado por declarações do deputado Eduardo Bolsonaro, sugerindo que o irmão deixaria o Brasil em caso de derrota eleitoral.
A Rota de Fuga: Da Fronteira Terrestre aos Estados Unidos
Embora o parlamentar tenha gravado um vídeo na segunda-feira (26) prometendo entregar os documentos e negando intenção de sair do Brasil, a operação de fuga já estava em andamento:
- Travessia Clandestina: Na segunda-feira (26), o senador cruzou a fronteira terrestre brasileira em direção a Puerto Iguazú, na Argentina, contornando os postos formais de controle migratório.
- Embarque e Chegada aos EUA: Da cidade fronteiriça argentina, o parlamentar seguiu viagem em voo com destino aos Estados Unidos, onde sua presença foi formalmente confirmada.
- Descumprimento e Cancelamento: O prazo final estipulado por Moraes venceu às 11h de terça-feira (27) sem que os documentos fossem apresentados. Diante da infração cautelar e da confirmação de saída do território nacional, a Polícia Federal cancelou os passaportes no sistema e notificou o STF.
Bastidores Políticos e Desdobramentos Jurídicos
Nos bastidores de Brasília, a fuga do parlamentar é apontada por analistas como um movimento para evitar o raio de alcance imediato da Justiça brasileira. Diante do cenário no Senado para 2027 — onde a oposição projeta articular pedidos de impeachment contra magistrados da Suprema Corte —, havia o receio da família Bolsonaro de que Flávio se tornasse o principal alvo de prisões cautelares e bloqueios patrimoniais como forma de pressão institucional.

Com a saída não autorizada do país e o descumprimento formal das ordens do STF, a expectativa nos tribunais superiores é de que o ministro Alexandre de Moraes avalie o pedido de prisão preventiva do senador e acione os mecanismos internacionais de cooperação policial (Interpol) nas próximas horas.
Por: Redação Juruti Agora.
