O Portal Janela Amazônica e outros veículos de comunicação tiveram a oportunidade de perguntar diretamente à ministra.
Durante entrevista no programa Bom Dia, Ministra, Raquel Barros, ministra da Igualdade Racial, respondeu ao Portal Janela Amazônica, de Santarém, Oeste do Pará, sobre desafios para titulação de territórios quilombolas e sobre o acesso da população negra ao ensino superior, que ainda enfrenta resistência.
A ministra também respondeu perguntas de veículos de comunicação de outros estados brasileiros. Rachel Barros disse que o governo federal pretende ampliar a rede de Casas da Igualdade Racial, falou sobre temas como o fim da escala de trabalho 6×1, valorização das culturas de matriz africana e combate ao racismo.
A entrevista foi transmitida ao vivo pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília.
Combate ao racismo
Questionada pelo Portal Janela Amazônica sobre o que o Ministério da Igualdade Racial pode fazer paea além das ações afirmativas para combater o racismo nas universidades, a ministra disse que a pasta sempre reforça como é difícil ainda enfrentar o racismo no Brasil, mas têm realizado ações exitosas.
“Uma das ações importantes é o intercâmbio com alunos e professores do ensino fundamental da educação pública para ampliar a divulgação da lei 10.639, que determina o ensino da cultura e da história afro no Brasil para o combate ao racismo, porque o potencial dessa iinformaçãoser replicada é enorme. A gente investe muito em educação e já tem práticas bem exitosas para a permanência das pessoas o ensino superior, como as afrotecas”, disse.
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Para Rachel Barros, a tecnologia das afrotecas na educação antirracista pode reverberar de forma muito positiva dentro das famílias.
Segundo a ministra, já foram inauguradas 5 afrotecas e mais 6 pra inaugurar no Pará. Ela considera quero ttrabalho das afrotecas apoia as famílias.
“É um trabalho que é feito na base para desconstruir o racismo. Crianças que frequentam as afrotecas vão crescer com uma nova concepção de Brasil, de Nação, conhecendo a sua história, sua ancestralidade, sendo mais informadas. E no longo prazo a gente vai ter uma mudança de mentalidade. Combater o racismo exige muita ação e muito apoio”, enfatizou.
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Titulação de territórios
Sobre as denúncias de violação de direitos devido à morosidade dos processos de titulação de territórios quilombolas no Oeste do Pará, Rachel Barros disse que o Ministério tem sido demandado constantemente por esses conflitos.
“Esse com certeza deve ser um deles e a gente tem feito o acompanhamento e faz o diálogo com o Incra, porque a gente sabe que é um processo judicial que tem relação com os governos estaduais e municipais, mas a gente tem dialogado para garantir celeridade a essas titulações”, explicou.
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Segundo a ministra, novas unidades das Casas da Igualdade Racial serão inauguradas ainda em 2026 em Salvador (BA), Itabira (MG) e Contagem (MG). Ela destacou que os espaços oferecem atendimento psicológico, jurídico e social à população negra.
“Esses equipamentos públicos promovem atendimento qualificado para a população negra com serviços de atendimento psicológico, jurídico, social e são uma prioridade do nosso Ministério. Além disso, são espaços de inclusão produtiva e cultural que devem ser ocupados por toda população em seu entorno. Nossa ideia é construir uma rede de promoção da igualdade racial em todo país”, afirmou.
Rachel Barros também anunciou a previsão de um chamamento público para integrar novos municípios e estados à política coordenada pelo Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir).
Durante a entrevista, a ministra comentou o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, tema que tramita no Congresso Nacional.
“Essa é uma prioridade do governo do presidente Lula e nós apoiamos o fim da escala 6×1, que é a redução da jornada de trabalho sem a redução salarial. O que estamos promovendo é que trabalhadores tenha direito a dois dias de descanso semanal, para que tenhamos uma jornada de trabalho muito mais dinâmica e igualitária”, disse.
Ela acrescentou: “Reduzir a escala de trabalho é garantir direito e dignidade para a população brasileira”.
Outro tema abordado foi o processo de repatriação de peças do Batuque que estão em Berlim, na Alemanha, e a proposta de criação do Museu Nacional do Batuque, no Rio Grande do Sul. Segundo a ministra, as ações têm importância simbólica e cultural para os povos de matriz africana.
“Tenho a satisfação de dizer que o Ministério da Igualdade Racial tem acompanhado esse processo desde o princípio, em diálogo com o Ministério das Relações Exteriores, para que ele seja de fato efetivado. Reconhecer a cultura das religiões de matriz africana ajuda na promoção da democracia”, declarou.
Ao final da entrevista, Rachel Barros afirmou que a prioridade da pasta nos próximos meses será consolidar políticas públicas já implementadas.
“Esse é o primeiro Ministério da Igualdade Racial do nosso país, muitas políticas inéditas foram criadas. Nossa intenção agora é garantir que esses resultados permaneçam no tempo, que todas nossas ações sejam entregues com qualidade nos territórios e fazer com que a população negra seja reconhecida como um espaço prioritário para a promoção da igualdade racial nesse país”, ressaltou.
Também participaram da entrevista representantes dos veículos de comunicação: Rádio Antena Esportiva, do Rio de Janeiro; Portal Diário Sul Maranhense, do Maranhão; Portal Oceano FM, do Rio Grande do Sul; Portal BHZ, de Belo Horizonte, Portal O Povo, de Fortaleza; e a Rádio Band FM, da Bahia.
Por: Sílvia Vieira
